segunda-feira, 27 de julho de 2015

Não Confio em Gente que Não Lê #23 - Eu Sou Malala

Já falei o bem que o Desafio Literário do Tigre está fazendo por mim esse ano? Já li mais de quatro títulos que provavelmente não teriam me interessado se eu não estivesse tão determinada a cumprir o desafio e todos eles foram ótimas surpresas.

Para a categoria "Escrito por uma Mulher" eu poderia ter encaixado qualquer livro da minha extensa lista de publicações que eu ainda quero ler que fosse assinado por uma mulher, mas decidi ir mais a fundo no tema. Decidi ler a história de uma menina que quase perdeu a sua vida por lutar pela educação para mulheres, a paquistanesa Malala Yousafzai, com o livro Eu sou Malala.


As páginas narram toda a história de Malala desde o momento em que ela nasceu e todos os elementos que fizeram com que ela apreciasse e defendesse tanto o direito a educação para todas as crianças. O principal motivo foram seus pais, que, mesmo fazendo parte de uma sociedade com tradições extremamente fortes e conservadoras, sempre souberam o valor da educação e deixaram que Malala fosse livre pra aprender e se expressar. O sonho de Ziauddin Yousafzai, o pai dela, era construir uma escola para meninas e, antes disso, ele já era um ativista em sua região, discursando e lutando pelo estabelecimento da paz. E Malala, desde pequena, seguiu os passos do pai.


O Talibã invadiu o vale do Swat, onde ela morava com a família, espalhando medo com atos de extremismo. Mulheres não poderiam andar pelas ruas desacompanhadas ou mesmo acompanhadas de algum homem que não fosse de sua família, ou seriam espancadas em público para servir de exemplo. Os homens deviam deixar a barba crescer e usar roupas tradicionais ou também seriam perseguidos. Toda a população deveria acatar as palavras do líder da dominação talibã, o mullah Fazlullah, ou sofreriam as consequências. Malala e seu pai viraram alvo do Talibã por se oporem ao controle deles sobre a população e continuarem defendendo a educação para todos. Em 9 de outubro de 2012, Malala foi baleada pelo Talibã e ficou em estado crítico por muito tempo, mas o atentado apenas chocou o mundo e aumentou a força da voz e da luta dela.


O livro não é tão facinho de acompanhar, eu levei praticamente um mês inteiro pra terminá-lo porque fui lendo de pouquinho e com calma, mas é extremamente bem estruturado e editado e a história é fascinante. Aprendi muito sobre os costumes do Paquistão e do Islã e me emocionei com as palavras e sonhos da Malala. É lindo ver como uma mente adolescente como a dela, uma menina que gostava de 'Crepúsculo' e 'Betty, a Feia', também é capaz de coexistir com os desejos de uma ativista que luta pela paz e pelos direitos das mulheres.


O mais interessante é que eu vinha lendo só histórias de fantasia, justamente pra fugir da realidade por estar desacreditando a bondade do ser humano, mas foi lendo uma biografia que eu recuperei o ânimo. É muito bom saber que existe alguém que luta tanto pela educação, que não se calou mesmo sob ameaça e que está sendo levada a sério. Que as palavras da Malala se espalhem pelo mundo e a gente consiga assimilar e colocar em prática os desejos dela. Essa é uma história que merece e que precisa ser lida!

Abaixo, deixo o vídeo do discurso completo dela na premiação do Nobel da Paz.



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No Desafio Literário do Tigre, 'Eu sou Malala' se encaixa na categoria "Livro Escrito por uma Mulher".

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