quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sobre o picnic de aniversário de um ano da Revista Capitolina - ou como minha vontade de lutar pelo feminismo foi renovada

Mas gente, essa menina parece um disco engasgado que só falar da mesma coisa, armaria!
Pois é... Mas entenda que o ditado "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" faz todo o sentido quando relaciono a "pedra dura" com a teimosia de C E R T A S P E S S O A S, e a "água mole" ao disco engasgado aqui, repetindo os preceitos e conceitos do feminismo, então ¯\_(ツ)_/¯.

Domingo, dia 14 de abril de 2015, aconteceu em São Paulo um picnic para comemorar um ano da Capitolina, que é uma revista adolescente digital pras novinhas (e velhinhas) lerem em vez de ler a Capricho. Vou ser sincera aqui e dizer que não sei bem como a Capitolina surgiu, mas ela veio pra te mostrar que sua vida vai muito além de festinhas, primeiro beijo, como conquistar o gatinho e seu horóscopo, mesmo que você tenha só 14 anos. Não to falando que ela vai complicar a sua vida, pelo contrário, ela vai expandir seus horizontes e te ensinar a ser feliz de outro jeito. Se não conhece, PELAMORDEDELS, vai conhecer!

O picnic foi uma delícia! Primeiro porque era um picnic e é assim que picnic são. Segundo, terceiro, quarto, sei lá, são motivos que eu vou listar logo aqui, abaixo dessa foto cheia de mulheres lindas e empoderadas que participaram desse encontrinho.


Conhecer gente nova, interessante e diferente de mim

Apesar de estarmos todas lá com o mesmo ideal (uma parada básica que a gente gosta de chamar de igualdade de gêneros e etc.) éramos diferentes em essência, em estilo, em hábitos e isso me deixou encantada! Cada uma de nós tem uma história, opiniões e crenças que vão muito além do feminismo que nos unia e foi gostosíssimo perceber, ouvir, discutir e ponderar cada uma das experiências que nos diferenciava, e de forma tão saudável e cheia de respeito como aconteceu no CCSP num domingo a tarde.
Pensar a vida pela perspectiva de outra pessoa é um exercício indescritivelmente interessante que todos nós devíamos fazer. Acredito que são esses encontros que nos fazem evoluir.



Exercitar a criatividade e colaboração

Além das conversas abridoras de mente e muita comida gostosa, caseira ou não, também tinham atividades pra quem quisesse parar de comer por alguns minutos que fossem. Teve bazar, teve lojinha, teve troca de marca páginas (pra pegar um marca página feito por uma das leitoras ou colaboradoras da Capitolina, você tinha que fazer - tinha canetinhas, papel, cola e até glitter disponível - e deixar outro marca página no lugar), teve oficina de stencil e de zine.
Participei de verdade da oficina de zine, uma parada que há muito queria aprender. A Gabi ensinou a dobradura do zine e tinha material pra que cada uma criasse o conteúdo do seu livrinho, eis que surge a ideia do zine colaborativo, cada uma faz um desenho em uma página e passa o zine a diante. No final todo mundo ia ter desenho de todo mundo.
Melhor ideia EVER.




Ver que a geração de novinhas que está vindo aí está mais ligada e proativa do que a minha geração quando era novinha

Quando chegamos a quantidade de minas ainda era relativamente pequena então fizemos uma tentativa (fracassada) de apresentação que, logo no começo, encheu meu coração de EMOSSAUM e amor; três meninas, que chegaram praticamente junto comigo e com a Priscila, começaram a se apresentar e todas tinham só 15 anos, estavam no ensino médio e tinham organizado um coletivo de discussão sobre feminismo na escola! ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 
É ou não é pra morrer de orgulho e felicidade que garotas tão novas estejam tão engajadas na causa e espalhando a palavra do feminismo para outras meninas (e meninos) tão novas quanto elas?
Principalmente quando faço uma imagem mental da Nayra de 15 anos que se quer sabia que machismo existia.

[obs.: temos que considerar que lá em 2005/2006 a rede social que começava a bombar era o orkut e pra conectar na internet só depois da meia noite e de domingo, mas ainda assim...]


Ver o feminismo na prática

O feminismo que eu acredito é aquele que diz que eu posso fazer o que diabos eu quiser (se não estiver afetando diretamente a vida de outras pessoas, pra não falar que to fazendo a maluca aqui). Se eu quiser ficar solteira pro resto da minha vida eu fico, se eu não quiser ter filho eu não tenho, se eu quiser parar de trabalhar pra cuidar dos meus filhos, eu paro, se eu quiser fazer depilação a laser eu faço, se eu não quiser ver gilete nem pintado, maravilha.
E foi isso que eu vi domingo. Meninas usando as roupas que queriam usar, defendendo suas posições e decisões de vida, com seus suvaquinhos cabeludos, saia e pernas não depiladas, com cabelo raspado e pernas depiladas, carregadas na maquiagem ou sem nem um grãozinho de pó na cara. E nenhuma dessas características fazia uma ser mais mulher ou mais feminista que a outra.



Perceber que, apesar de todo o machismo nosso de cada dia, o feminismo vale a luta e está crescendo, sim!

Esses dias cheguei a me perguntar se eu estava virando uma maluca feminista que vê machismo em tudo, ou se o machismo realmente está em tudo e eu estou mais sã do que nunca. Cheguei a conclusão que maluco é quem acha que feminismo é exagero, que a gente não tem mais nada pelo que lutar, que mulher tem que se dar ao respeito pra ser respeitada, que tenho que ser delicada e feminina pra ser considerada mulher.
Ta tudo errado. E a gente ta aqui pra mostrar como é! Pra te explicar porque o feminismo é importante, pra apontar onde está o machismo (e, sim, ele está em todo lugar), pra te falar que é um processo, que você não vai ser uma "miga" do dia pra noite, mas que a gente ta aqui pra te ajudar.
Essa mulherada que conheci no domingo me fez perceber que toda essa luta, por mais chata que ela seja, é válida, sim!

Abaixe suas defesas um pouquinho e escuta o que as mina que você chama de feminazi tem pra te dizer, você vai ver que a gente faz muito mais sentido do que parece.


2 comentários:

  1. Que demais! Se eu soubesse que ia ter, eu com certeza teria ido! Já conhecia a Capitolina e amo demais. Acho que não podemos deixar de lutar pelos nossos direitos. Felizmente, cada vez mais tenho visto meninas aderindo ao movimento feminista e isso é maravilhoso!
    Obrigada pelo comentário no blog!
    Beijos,
    Nalu
    www.coisasafins.com

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    Respostas
    1. Ai, foi uma delícia mesmo, Nalu! Se tiver algum encontro da revista de novo eu certamente vou dar um jeito de ir.
      E é verdade! Hoje eu entendo muito o pessoal que são tachados de "politicamente corretos", os "chatos do rolê". Se a gnt não martelar e não ficar ressaltando o que tem que mudar, o mundo não evolui! Avante, feministas <3
      Mageeena! Aparecerei lá mais vezes, pode me esperar xD hahah!!

      bjbj

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