segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Cambalhote


Há algum tempo escutei um podcast sobre os filmes que mudaram a vida dos participantes daquele episódio, o que me fez perceber que filmes nunca tiveram uma enorme influência sobre mim. Consigo citar tranquilamente, muitos livros e músicas que mudaram a minha vida e se eu me esforçar, encontro algumas séries que também tiveram esse papel. Mas filmes... não consegui pensar em nenhum... até dia 27/10, quando assisti 'Ensina-me a Viver' com a minha mãe. Não sei dizer se ele já mudou a minha vida, mas tem grande potencial pra inaugurar a lista.
Isso não é uma resenha, eu não sei se quero te contar o que eu achei do filme, mas estou sentindo uma necessidade absurda de compartilhar o impacto que ele teve em mim.
Há alguns anos venho tentando encontrar lugares da minha mente que me permitam viver de um jeito simples, e quando eu digo "simples", por favor não pense em comunidades alternativas ou algo do tipo. Eu só quero aprender a aceitar o que os dias me trazem, ou o que fazer pra tirar o melhor desses dias. Mas nos últimos meses me distanciei desses lugares que eu andei tanto pra encontrar. Então conheci Maude, uma senhora de 79 anos de idade que aprendeu a viver e, meio sem querer, ensina a tal fórmula mágica pra Harold, um garoto obcecado pela morte.
Eu não culpo Harold, afinal morrer é bem mais fácil do que viver, pelo menos é o que me parece. Mas Harold nem deu uma chance pra vida, nada de benefício da dúvida. Ele sentiu que gostava de estar morto, então assim seria. Mas, sem medo (porque temer o desconhecido, afinal?) Maude se aproxima dele e lhe mostra que viver talvez não seja de todo ruim. Ela já deve ter ensinado muitas pessoas pelo mundo afora a "comunicar-se com a vida" e eu não consigo expressar o quanto estou feliz por ter me tornado uma de suas alunas. A lição nem parece ser tão complicada. Você quer cantar? Cante! Quer amar? Ame! Quer dar cambalhotas? Cambalhote! A vida já lhe deu tudo isso, então porque deixar de fazer algo que te faz sentir-se bem, por medo de parecer tolo? Infantil? Será que existe mesmo uma definição para "adulto" sendo que conhecimento é algo sem fim? Que cada pessoa encara uma mesma atitude de um ângulo diferente? Maude me mostrou como não julgar a mim mesma nem as pessoas ao meu redor, fez com que eu questionasse muitos dos meus valores, derrubou meus preconceitos. E Harold me ensinou a aprender.
'Ensina-me a Viver' apareceu na minha vida da maneira e na hora certa! Não comecei a pensar totalmente diferente no segundo em que os créditos do filme começaram a subir na tela, mas quase pude escutar o "click" de alguma chavinha virando dentro do meu cérebro, ativando uma parte dele que sempre esteve ali, mas graças aos anos de desuso, precisa de algum tempo pra entrar em total funcionamento e acredito que podem se passar muitos anos até que isso aconteça. Só espero poder respirar por tempo suficiente pra descobrir como é viver com essa parte da mente trabalhando com todo seu potencial. Só isso.

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