terça-feira, 8 de outubro de 2013

Não Confio em Gente que Não Lê #9 - O Espadachim de Carvão

Já disse por aqui que não me sinto no direito de resenhar uma obra muito maior do que eu, né? Mas essa é a questão: apesar da genialidade desse livro ser clara, eu não me senti diminuída em nenhum momento. Por quê? Eu explico.

Em ‘O Espadachim de Carvão’, o autor Affonso Solano, apresenta o mundo completamente novo de Kurgala. Você, leitor de fantasia, que espera encontrar elfos e anões em todo livro do gênero, terá uma ótima surpresa quando adentrar esse universo povoado por raças inteiramente novas que, de início, podem até parecer monstruosas, disformes... mas com o virar de páginas você, certamente criará afeição por elas.
Todas essas raças que povoam os quatro continentes de Kurgala foram criadas pelos Quatro que São Um, os deuses desses povos. Adapak, o personagem principal, é filho de um deles.
Durante a maior parte da sua vida, o rapaz de pele escura como carvão, viveu com o pai em uma espécie de “caverna mágica” onde ele pode ter tudo o que precisa para viver bem. Mas, quando essa caverna é invadida por criaturas com sede de sangue, o sangue de Adapak, pra ser mais precisa, sem nem saber o motivo pelo qual está sendo perseguido, ele precisa fugir pra se salvar. É nessa fuga que Adapak nos leva com ele pra conhecer os mistérios e costumes de Kurgala e toda a história toma forma.
Logo no primeiro capítulo somos expostos ao desespero e cansaço do personagem principal, mas ele está tão perdido quanto nós, leitores. Então, pra que a gente consiga entendê-lo, a maneira como ele age e as atitudes que toma, o tempo atual é intercalado com memórias da suas infância e adolescência, o que deixou a leitura muito dinâmica. Cada capítulo é renovador, nós temos que nos transportar de um cenário atual caótico, pra um passado muito mais tranquilo e inocente, o que deixou a leitura mais leve, com um desenrolar de fatos muito mais interessante. As atitudes do personagem principal são muito coerentes levando em conta toda a sua história. Ele acaba nos propondo, muitas vezes, uma reflexão sobre o nosso próprio mundo, mas de um jeito muito natural, sem acusações, somente com exposição dos fatos.
O texto em si está muito bem escrito e perfeitamente editado; outra coisa que gostei muito, foi o fato de a entonação dos personagens já estar na fala em si, com uso de italico, negrito e caixa alta nas palavras que devem ter uma entonação diferente, o que, pra mim, deixa a leitura mais contínua; eu não preciso voltar na fala do personagem pra imaginá-la com a entonação certa caso eu tenha interpretado de um jeito diferente do que o autor pretendia. Isso tudo, sem falar do final totalmente inesperado com um toque de ficção científica. Enfim, 'O Espadachim de Carvão' pra mim, é uma obra completíssima e muito bem acabada.

Como falei no post sobre 'As Vantagens de Ser Invisível', que a experiência dele não seria completa sem assistir ao filme e escutar o Rapaduracast sobre a obra, digo o mesmo sobre o Livrocast  dedicado ao Espadachim de Carvão, gravado junto com o autor. Clique aqui para escutar.

2 comentários:

  1. Já faz tempo que escuto falar do espadachim de carvão no MRG, mas ainda não tive tempo de ler. Antes eu imaginava que o carvão era referência à batalha ou algum apelido de guerra, como no caso de Thorin escudo de carvalho em O Hobbit; mas pelo jeito é algo físico, que me parece muito interessante. Bora ler então! kk

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    1. Até que faz bastante sentido a associação que vc fez. Mas nesse caso é físico mesmo e faz td o sentido *-* no final vc entende pq! #fikdik hahaha!

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