quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Sua Avó Também Comprava

Em um final de semana decidi descer a rua e ir até uma perfumaria que tem perto de casa pra procurar a cera nutritiva pra cutículas da Granado que todo mundo tanto ama e ver se eu entendia o porque. Encontrei. E mesmo sabendo qual era a "cara" da embalagem, fiquei admirando a caixa e o potinho por um bom tempo. Nessa mesma ida a perfumaria lembrei que um dia, em casa, procurei por grampos de cabelo e não encontrei, por isso também levei comigo uma caixinha com cinquenta grampos Temoso. A caixinha tem aquela mesma cara desde que eu me entendo por gente e só pelo desenho estampado nela da pra deduzir que ela é assim há muito mais tempo do que as minhas duas décadas e um ano de vida. Ainda no mesmo dia, depois do banho, decidi usar Leite de Rosas pra limpar a pele do rosto, já que fazia bastante tempo que não usava. E então, reparei na embalagem clássica mais uma vez e fiquei encantada pela terceira vez naquele dia.
Me lembro de ter visto a minha avó usando um talco (polvilho) da Granado e um desodorante do Leite de Rosas, provavelmente porque ela também viu a mãe dela, ou até, quem sabe, a sua avó, usando os mesmos produtos. Me encantei com como as empresas e marcas são capazes de sobreviver aos anos, as crises, as mudanças de moda e tendências de uso e permanecerem as mesmas, desde a composição dos produtos, até a embalagem deles. Essas marcas criaram uma linguagem visual tão forte e própria, que se enraizou tanto na cultura do brasileiro, que hoje, provavelmente decairiam em vendas se tentassem mudar alguma coisa, se arriscassem a adotar um design mais moderno.
Desde esse dia a minha curiosidade com essas marcas, foi crescendo, então fui pesquisar pra descobrir há quanto tempo, elas estão presente nos lares brasileiros.
Se, por um acaso, despertei a mesma curiosidade em você, da uma olhada nos resultados da minha pesquisa aí embaixo.

Granado
Pega essa, negão: a Granado Pharmácias, foi inaugurada em 1870 (miloitocentosesetenta!!!) pelo português José Antônio Coxito Granado e em 1880 virou fornecedora oficial da corte real portuguesa no Brasil. A primeira loja, foi aberta no Rio de Janeiro e continua lá até hoje, na R. Primeiro de Março.
O carro-chefe da marca, o Polvilho Antisséptico (o talco, que eu falei que a minha avó usava), foi criado em 1903 pelo irmão do José Antônio, o João Bernardo Granado, tem registro aprovado por Oswaldo Cruz e a fórmula também continua a mesma até hoje.
José Antônio maniuplava produtos com extratos vegetais de plantas, ervas e flores brasileiras, que eram cultivadas no seu sítio. Todas as fórumlas eram adaptadas para os padrões e necessidades brasileiros e foi a qualidade dos produtos que os tornaram fornecedores oficiais da corte. Em 1912, a produção expandiu para um prédio na R. do Senado, onde ainda funciona uma das fábricas.
A primeira filial foi inaugurada em 1917 na R. Conde do Bonfim, 300, na Tijuca. Em 2007, a Granado também veio pra São Paulo com uma loja nos Jardins. Em 2008, foi ao ar o site oficial da empresa, e em 2009 foi inaugurada a loja da R. do Lavradio no Rio de Janeiro e teve uma expansão da primeira loja. É incrível saber que, na verdade, a ida da empresa para outros estados do país é bem mais recente do que se pode imaginar.
José Antônio (que está, rapidamente, virando um ídolo meu), adivinhem só, também se aventurou na publicidade e editoração. De 1887 a 1940, editou o 'Pharol da Medicina', que voltou a ser impresso em 2007. Em 2004, a Phebo foi incorporada a empresa.
Além da qualidade construída com mais de um século de atividades, a Granado também tem uma preocupação ambiental, produzindo cosméticos biodegradáveis com extratos 100% naturais, não testa seus produtos em animais e busca eliminar das suas fórmulas todo tipo de corantes e fragrâncias artificiais. Todas as suas embalagens tem o selo FSC (Forest Stewardship Council), que garante que a madeira utilizada para a produção do papelão que é usado para embalar os produtos, vem de um processo produtivo, manejada de forma "ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável". Os sabonetes são embalados com papel reciclado.
Estou irrevogavelmente apaixonada.
Tudo isso, eu li no site oficial da marca. Tem o link no final do post!

Leite de Rosas
Mais recente, o Leite de Rosas, nasceu em 1929, quando o dono de seringal, Francisco Olympio de Oliveira, se mudou do Amazonas para o Rio de Janeiro e, com 52 anos de idade, decidiu criar um cosmético feminino. Com a ajuda de um amigo farmacêutico e da esposa, Francisco criou a fórmula, produziu e envasou as primeiras unidades do produto. Olha o velhinho muito amor: "Para não incomodar a vizinhança, ele fechava as caixas de madeira usadas para despachar a mercadoria, martelando-as somente na hora em que o bonde passava."
Em 1934, a família se mudou para o Jardim Botânico e continuou produzindo o Leite de Rosas na garagem da casa, contratando o primeiro funcionário. Francisco saia de madrugada para espalhar cartazes sobre o produto nos postes da cidade, já que a prática era proibida; e também usou o rádio, que tinha acabado de surgir e as revistas mais famosas da época, como Fon-Fon, Jornal das Moças e Revista do Rádio para divulgar o seu produto. A primeira dançarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Maria Olenewa, também foi a primeira garota propaganda do Leite de Rosas. As primeiras peças de publicidade brasileira, a mostrar garotas de biquini e também a terem homens como protagonistas, foram - tcharã - do Leite de Rosas. Os primeiros anúncios em cor, também foram deles. Com o slogan "O preparado que da it...", a marca se solidificou e passou a ser relacionada com as grandes divas da época, como Carmem Miranda.
O mesmo produto, com a mesma fórmula, que, inicialmente, foi criado para ser usado na limpeza da pele, passa a ser usado como removedor de maquiagem, desodorante e loção pós-barba. Em 1940 foi construída a fábrica de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e em 1950, Assis Chateaubriand, convidou Francisco para patrocinar o concurso de Miss Brasil, com a marca Leite de Rosas. Em 1961, após o falecimento de Francisco, o seu genro, Henrique Ribas, assume o comando da empresa.
Na década de 1980, a empresa passou a investir mais no norte e nordeste do país, e procurou atingir as classes de menor poder aquisitivo. E em 1999, ganhou o prêmio Top de Marketing, graças ao novo posicionamento publicitário, que procurou rejuvenecer o produto.
Em 2011, depois que uma passagem de gerência trágica, quando a Leite de Rosas quase entrou em concordata, a família retomou as rédeas do negócio e em 2012 teve seu primeiro lucro em seis anos.
Li tudo na página da wikipédia dedicada a empresa.

Phebo
Antônio Lourenço da Silva e Mário Santiago, dois portugueses que moravam em Belém do Pará e vendiam cigarros, decidiram criar, em 1930, um sabonete brasileiro, que se igualasse aos padrões europeus. Os dois já eram perfumistas talentosos, desenvolveram um sabonete oval, marrom escuto, a base de glicerina, inspirado no Pears Soap, sabonete inglês, era luxuosamente embalado. Os dois combinaram muitas essências até chegar na original que combina a essência de pau-rosa, com mais 145 ingredientes, como sândalo, cravo da índia e canela de Madagascar. Pasme, pois o nome Phebo vem do grego Phoíbos que significa brilhante. A grande inspiração foi Apolo, o deus Sol. Foi lançado com o slogan 'sabonete de charme inglês'.
No começo da sua produção, o produto viaja de navio até o Rio de Janeiro e São Paulo, onde os donos de farmácias resistiam em comprar um sabonete que custava cinco vezes que os similares nacionais da época. A loja paulista de departamentos, Mappin, encomendou 25 dúzias do sabonete e se tornou o principal cliente da empresa. Em 1941, foi lançada a lavanda Phebo, inspirada nos Alpes Suíços. Logo a qualidade da marca caiu nas graças do brasileiro e conquistou um lugar nos lares de todo o país.
Em 1980, Mário Santiago decidiu terceirizar a fabricação das fragrâncias e foi então que surgiram produtos da marca com aromas de patchouly, naturelle e amazonian.
Depois de passar pelas mãos de empresas multinacionais, a essência original se perder e o faturamento cair vertiginosamente, a Phebo foi comprada pela Granado em 2004, que entendeu que os consumidores perceberam a alteração das fórumlas e queriam o perfume original de volta e para isso, a Granado procurou um perfumista que trabalhou no final dos anos 70 na fórmula do produto. Hoje, a essência de pau-rosa é criada artificialmente, já que a árvore está em extinção. O sabonete passou a ser fabricado com base 100% vegetal, todas as suas embalagens foram alteradas e ele começou a ser exportado para os Estados Unidos, tudo para resgatar uma marca, que nos seus tempos áureos, foi símbolo de sofisticação entre as classes de maior poder aquisitivo.
A grande novidade da marca é toda uma linha de produtos de beleza, a Phebo Girls, e a linha de fragrâncias Águas de Phebo, assinada pela estilista Isabela Capeto. Isso tudo sem perder o toque nostálgico que agrada tanto os seus consumidores. Em pouco tempo, a marca voltou a ser referência, hoje é considerada tradicional e clássica.
Esses e outros dados, além da linha do tempo da marca, estão aqui.
Andei olhando os produtos da Phebo Girls no site oficial da marca (link também no final do post), e já acrescentei alguns na lista mental de itens que eu preciso ter.

Temoso
Antônio Barrocal (o canal pra fazer sucesso era chamar Antônio), em 1962, abriu a fábrica do Grampo Temoso, que funcionava com apenas uma máquina em uma garagem alugada no Tucuruvi, mas em poucos anos o Grampo Temoso fez grande sucesso e a fábrica foi para um prédio próprio. Em 1967, o sócio João de Gouveia Rodrigues se juntou a Antônio, injetando capital na empresa e dando ideias inovadoras para que ela continuasse crescendo.
Em 1974, sob controle do filho de Antônio, Luis Antônio (aí ó) Barrocal, a fábrica foi para um novo prédio onde funciona até hoje com o nome Metalúrgica Temoso Ltda. Seguindo a mesma linha de produtos para facilitar a vida das mulheres e profissionais do ramo de beleza, a Temoso lançou os Bigodins de Alumínio e Plástico, Boby Rotativo e Papel para Permanete. Em 1986, a Temoso foi uma das primeiras indústrias a implementar o código de barras nas suas embalagens.
Dez anos depois, em 1996, foram lançados outros dois produtos, os Curlers, para permanente afro, e o Curl Hair, para ondular e encaracolar os cabelos. Em 1998, começando a aderir a internet e as novas tecnologias, a empresa passou a adotar o nome Grampos Teimoso Ltda.
Infelizmente não encontrei muito mais sobre a empresa, o que achei estava no site oficial que deve ter o primeiro layout feito pra ele ainda na década de 90. Uma pena, afinal a Teimoso continua sendo referência para a mulher brasileira e, muito provavelmente, tem chances incríveis de ter uma presença online bem legal, impulsionando as vendas e rejuvenescendo a marca. Mas a minha admiração permanece, afinal mesmo sem conteúdo para internet ou campanhas publicitárias recentes, a marca continua forte e estabelecida no mercado.

Sites Oficiais

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