quinta-feira, 13 de junho de 2013

Valeu, universo

"Ainda tem beleza nesse mundo. É só saber olhar."
Carrie Fletcher criou o @TheHopefulNotes pra incentivar as pessoas a fazerem o bem sem esperar nada em troca. E quando você faz, mas de verdade, com coração puro, o mundo devolve essa bondade pra você, por mais que você não se de conta disso.
Outro dia passei numa lojinha que vende "tudo" perto do trabalho e comprei um bloquinho de post it pra participar do movimento. A caminho da estação Vila Madalena escrevi na primeira folha do bloquinho "O mundo ainda é um lugar bacana... afinal, você ta nele (: @TheHopefulNotes", colei no vagão, na altura dos olhos da pessoa que sentaria no lugar que eu ia livrar e saí feliz do trem.
Dois dias depois, indo pro trabalho, estava esperando o metrô enquanto lia e estava tão concentrada na história que não percebi que todas as pessoas que desceriam naquela estação já tinham saído do trem e eu podia entrar. Se não fosse o moço que estava do meu lado tocar de leve nas minhas costas, me avisando que eu já podia entrar e deixando que eu passasse na frente dele, eu provavelmente teria perdido o metrô. Não é o fim do mundo, afinal, três minutos depois passa outro, eu ia rir de mim mesma, fechar o livro e esperar o próximo, mas... legal da parte dele né? Pode ser que a TPM tenha influenciado toda a emoção que me invadiu com o esse gesto tão simples, mas eu achei tão bonito, mas tão bonito...
Um pouco antes de descer do mesmo trem, um menino, que aparentava ter uns dezessete anos de idade, sem querer esbarrou em mim e pisou de leve no meu pé. Pois ele encostou no meu ombro pra que eu olhasse pra ele e ele pudesse pedir desculpas, meio sem jeito. Sorri e falei que não tinha problema.
Aí quando estava saindo pelas catracas, vi uma moça andando devagar, enquanto um homem, provavelmente algum parente, talvez seu marido, andava com uma mão no ombro dela e a outra apoiada numa muleta de metal que aparentava ser bem desconfortável. Mas os dois continuaram andando sem pressa, sem reclamar da vida. Ainda antes de sair da estação vi uma senhorinha apoiada no corrimão que tem no túnel da saída, enquanto um moço passava pra ela, com toda a delicadeza, uma garrafa de água e pensei "nossa... ela dever ter cansado de andar da plataforma até aqui...".
Comecei a juntar tudo isso na minha cabeça e percebi quantas situações de carinho atencioso eu já presenciei naquela estação, que fica do lado de um hospital. Já escutei pessoas falarem que não gostam de descer la justamente por causa disso, por uma das saídas dela, dar direto na porta do hospital. "Ai, bando de gente doente perambulando por lá, que pânico!" tive que escutar e ficar quieta.
Já pude ver casais de senhores de mãos dadas a passos lentos se encaminhando, provavelmente, pra uma consulta de rotina e me vi imaginando, mais de uma vez, a vida que eles puderam ter juntos até ali. Mães com expressões serenas empurrando a cadeira de rodas de seus filhos com alguma deficiência, ou um osso quebrado. Já vi senhores puxando, pacientemente, um cilindro de oxigênio num carrinho, e um tubinho, ligado a cilindro; a outra ponta presa ao nariz com um esparadrapo. A calma estampada claramente em seus rostos e na minha cabeça "as coisas acontecem com quem consegue suportar mesmo...". E tantos outros momentos...
Sério... não é difícil olhar o lado positivo das coisas, procurar a beleza da rotina. Só tenho que aprender a apreciar mais esses instantes sem precisar das emoções a flor da pele que a TPM proporciona. Mas de qualquer maneira, obrigada, universo.


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