sexta-feira, 13 de julho de 2012

Não Confio em Gente que Não Lê #5 - Andy Warhol, O Gênio da Imagem

Andy Warhol foi um marco da arte, do cinema underground, da moda; da sua época em si! Por isso não me sinto muito no direito de ficar desmentindo algumas das afirmações que li sobre ele por aí, mas depois de ler 'Andy Warhol - O Gênio do Pop' a imagem de Warhol se desconstruiu e se regenerou na minha cabeça mais de uma vez.
Mesmo antes de ter sequer escutado o nome de muitas das obras mais famosas de Andy, eu já o considerava um gênio. Desde as aulas de educação artistica, quando a professora tentava enfiar um pouquinho de cultura na cabeça de crianças de onze anos de idade, eu já tinha marcado o nome desse cara, mas há algum tempo, percebi que o idolatrava sem nem saber pronunciar seu nome corretamente, então decidi me aprofundar na história do tal 'gênio do pop' e ver se o que estava na minha cabeça, correspondia com a realidade.
Comprei a biografia, mas ela ficou no guarda roupa pegando poeira por mais de um ano até eu criar coragem pra lê-la (vide parte do primeiro post dessa coluna), mas depois de ler a biografia do Boni pra faculdade, decidi parar de adiar.

Sou dessas que torce pelo loser da história, sempre! Então o começo do livro com os detalhes da origem do Andy, todos os problemas de saúde que ele teve que acabaram refletindo na sua aparência; a dislexia e toda a dificuldade que ele teve pra estudar, fizeram a minha simpatia aumentar logo de cara. Desde a faculdade ele desenvolveu a habilidade de se aproveitar dos próprios erros, transformando-os em características pitorescas, "o toque do Andy". Mas no desenrolar da história você descobre que muitas, quase todas as suas obras surgiram de pedidos desesperados de ideias para amigos mais criativos; ele pegava as ideias e as executava, o que não tira seu mérito de execução do seu trabalho. Aliás, ele ralou muito, foi rejeitado muitas vezes pelas maiores personalidades da época, se tratando de arte, e pelas maiores galerias. A tão desejada fama, que na verdade era a única coisa que ele perseguia, demorou a chegar. Mas chegou e foi duradoura! Ele não tinha mais que estar com as pessoas certas para ser 'cool', você seria 'cool' se estivesse com o Andy.
Mas aí aquela história de 'se aproveitar dos próprios erros' fica repetitiva. Até quando ele decidiu que iria parar de pintar, isso continunou nos filmes com audio de péssima qualidade e edição pobre. Só que você passa a não ligar pra isso, sendo que o cara mal sabia operar uma câmera e não estava nem aí pra isso, comprou uma mesmo assim, se jogou e depois de algum tempo seus filmes estrearam inclusive fora dos Estados Unidos. Ok, o gênero de cinema underground não passa nem perto do entretenimento hollywoodiano com o qual eu estou acostumada, mas tudo me pareceu uma enorme desculpa pra que os erros e a falta de recursos parecessem propositais.
Todo mundo o chamava de gênio, sem saber direito o que se passava na cabeça dele. Na verdade, acho que nem ele sabia. Mas a conclusão na qual cheguei, que inclusive um dos autores do livro comentou nos agradecimentos, é que ele pode não ter sido gênio da arte ou do cinema, mas era gênio da imagem. Da sua própria imagem, dos seu trabalhos, do seu estúdio, das pessoas que o cercavam... se tinha o dedo dele, virava notícia!

O livro em si é ótimo! Demorou pra eu embalar, mas quando consegui pegar o ritmo da história, não parei mais. Os capítulos são divididos em anos, de 1960 a 1968, [spoiler alert xD] até quando ele leva o tiro da Solanas e depois de quase ter morrido, muda completamente seu estilo de vida. E a passagem de tempo é bastante perceptível, da pra sentir os tempos de glória da Silver Factory crescendo e se evaporando depois. É até uma sensação engraçada quando você termina a biografia e começa a ler os agradecimentos, é como se te puxassem do passado.
As páginas são lotadas de outras "minibiografias" das pessoas que marcaram a vida do Andy, o que torna a leitura mais cansativa, mas facilita o entendimento das pessoas e das situações.
Enfim... como falei pra um amigo, acho que eu nunca vou ter uma opinião completamente formada sobre Andy Warhol. Pra isso eu teria que virar uma super estudiosa da pop arte e da vida e carreira dele. Mas a leitura foi, com certeza, um tempo muito bem gasto.

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