quinta-feira, 15 de março de 2012

As Belas e Precisas Profecias de Caim

Duas leituras recentes, das quais eu nem tenho coragem de ficar fazendo reviews: 'Belas Maldições' do Neil Gaiman e Terry Pratchett, e 'Caim' do José Saramago.

Não, os livros não tem quase nada a ver um com o outro, mas, pelo menos pra mim, foi impossível não relacioná-los, já que, mesmo em contextos completamente diferentes, abordam o começo e o fim dos tempos segundo Deus e a bíblia.
Em 'Belas Maldições', Neil Gaiman e Terry Pratchett contam a história do fim do mundo, que na verdade não acontece e em 'Caim', Saramago, em seu último livro, tem a coragem que Gaiman não teve para por um fim na humanidade logo no começo dos tempos bíblicos. Ambos são detentores de uma ironia cômica espetacular, que aliás, exige um certo sangue frio e mente aberta para poder encarar numa boa, sem se ofender ou levar pro lado pessoal. É isso: são leituras pra pessoas curiosas e com mente aberta.
Vou ser bem sincera, nunca tive vontade nem paciência pra ler a bíblia, apesar de ter sido criada em uma família católica e, desculpe, não controlo os meus pensamentos, questiono muita coisa que eu escuto que tenha alguma relação com religião; não só a católica, mas principalmente ela. Mas quando 'Caim' caiu no meu colo, muita coisa ficou mais clara. Saramago era ateu, mas em 'Caim' ele não nega a existência de Deus, apenas a questiona, de modo bem claro e irônico. É um livro pequeno, que parece ser complicado, mas basta ler um capítulo para que a falta de pontuação não seja mais um problema e você comesse a se permitir compartilhar das mesmas dúvidas do personagem principal.
E em 'Belas Maldições', o elemento mais marcante é o fato de que um anjo e um demônio, que espera-se que sejam inimigos mortais, eram "melhores amigos", e acabam se ajudando nessa jornada rumo ao fim do mundo. Afinal, um inimigo que está aí do lado há mais de 2000 anos, acaba se tornando mais próximo do que o "chefe" que aparece de vez em quando. Bem e mal perdem o sentido nas mãos dos autores de 'Belas Maldições', que ainda colocam o futuro do planeta nas mãos de uma criança.
Enfim! Tentei expressar o mínimo a minha opinião, fora o fato de ter deixado bem claro que amei as duas publicações, porque acho que não tenho tudo isso de conhecimento pra ficar colocando o dedo e apontando defeitos ou qualidades nas obras de autores tão clássicos e históricos a seus modos, mas deixo aqui a dica de leitura. (;

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